Desaparecimento de ex-secretária em RR pode ter sido forjado, diz polícia

2/03/2016 às 04h03

Depois de 15 dias do desaparecimento da ex-secretária de Saúde do Cantá, no interior de Roraima, Hadácia Alves, de 29 anos, a sua localização continua incerta. O caso está sendo investigado pela Polícia Civil e uma das hipóteses trabalhadas pelo Núcleo de Investigação de Pessoas Desaparecidas (Nipd) é que o sumiço tenha sido forjado.

A delegada Magnólia Soares, responsável pelo caso, explicou que Hadácia é investigada pela operação da Polícia Federal, 'Libertatem', que apura o desvio de verba pública no município de Cantá.

Segundo ela, a ex-secretária de Saúde poderia ter sofrido ameaças envolvendo o caso e escolheu forjar o desaparecimento.

"Ela pode ter sido ameaçada e resolveu forjar o sumiço. Apresentar tudo como se fosse um desaparecimento e sumiu do mapa", disse a delegada.

Esta linha de investigação é uma das três possibilidades trabalhadas pelo Núcleo. "Nós temos alguns indícios de três possibilidades que gostaríamos de manter em sigilo. Obviamente uma delas é essa da operação 'Libertatem'. De uma possível ameaça envolvendo verba pública", afirmou a Magnólia.

Apesar da possibilidade, a delegada não descarta que o caso seja mais grave. "Não posso dizer que nós estamos diante de um homicídio. Quisera eu que fosse um desaparecimento e que ela esteja bem, mas não temos essa certeza".

Caminhos da investigação

Magnólia disse que o Núcleo de Investigação de Pessoas Desaparecidas está trabalhando 24 horas na apuração dos fatos. Desde o dia 17 de janeiro, quatro pessoas foram ouvidas oficialmente e outras diversas informalmente, conforme a autoridade policial.

"O nosso interesse é correr contra o tempo. Checar rápido as informações que estão chegando e encontrá-la com vida".

A polícia também já esteve três vezes na casa de Hadácia no Cantá buscando câmeras de monitoramento, já pediu a quebra de alguns sigilos à Justiça e chegou as fronteiras do estado.

Além disso, as equipes verificaram a emissão da segunda via de documentos já que todos os da desaparecida já foram encontrados.

"É um desaparecimento difícil de investigar. A polícia trabalha com uma linha investigativa e depende de vários fatores e pessoas. Eu não tenho conhecimento de casos semelhantes no estado. Com esse modo de ação", disse Magnólia.

Desaparecimento

Hadácia, que é viúva, mora sozinha no Cantá. Por conta disso, o desaparecimento só foi notado ela amiga Lana no dia 19, quando ela tentou ligar para a amiga, mas o telefone deu desligado. A enfermeira sumiu após deixar a amiga Lana Leal em casa, na zona Oeste de Boa Vista.

Quatro dias após o desaparecimento de Hadácia, o carro dela foi encontrado em frente a uma casa no bairro Nova Canaã. O veículo estava com o notebook, os cartões e vários outros bens da enfermeira.