Pai alega que bebê foi agredido em maternidade

26/04/2016 às 01h04

O pai de um bebê de um mês que está internado na Maternidade Nossa Senhora de Nazaré, em Boa Vista, procurou a imprensa local na segunda-feira (25) para denunciar que o filho apresentou marcas de unhas no braço e pode ter sido vítima de agressão dentro da unidade.

Em nota, o governo informou que após sindicância ficou constatado que os ferimentos no braço do bebê foram causados pelo encaixe do soro.

O menino sofre de uma doença cardíaca e aguarda a liberação para o Tratamento Fora de Domicílio (TFD) desde que nasceu. Ele está internado há 35 dias na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) da maternidade.

"Vejo ele todos os dias. No início do mês saí de lá e quando voltei no outro dia ele estava com essas marcas no braço. A enfermeira que estava lá disse que era porque ele havia dormido por cima de um dos aparelhos por onde é aplicada a medicação. Mas não tem como, era marca de unha, e unha de gente adulta", relatou o pai do bebê, Janderson Juarez, de 28 anos.

Ainda de acordo com o pai do menino, há duas semanas o menino teria sofrido uma parada cardiorrespiratória e chegou a respirar com ajuda de aparelhos.

Juarez afirmou não ter denunciado o caso à polícia por medo de sofrer perseguição dentro da maternidade. Entretanto, teria procurado a direção da unidade para relatar o caso.

 

"Fui na ouvidoria também, mas me falaram que eu 'estava vendo coisa demais'. Quero é que o TDF dele saia logo para que ele deixe essa UTI", destacou.

O pai do reclamou ainda da falta de profissionais capacitados para prestação de serviços na unidade.

"No dia 4 cheguei até a unidade, e ele ainda não tinha sido alimentado no horário que deveria, pois o procedimento é feito com uma sonda. Tinha apenas uma estagiária que não sabia fazer o procedimento", relatou.

Sobre o TDF, Juarez disse ainda que surgiu uma vaga para Hospital Pequeno Príncipe, no Paraná, mas até o agora não obteve nenhuma resposta da Secretária do Estado de Saúde (Sesau) sobre o prazo para que a transferência seja realizada.

Entenda o caso

João Lucas Silva Araújo nasceu no dia 18 de março, de parto cesariana sem nenhuma complicação, no hospital Rorainópolis, região Sul do estado. Após dias de nascido, o menino foi diagnosticado com uma grave doença no coração encaminhado para a Maternidade Nossa Senhora de Nazaré, onde aguarda o TFD para a realização de uma cirurgia.

'Ferimentos foram causados pelo encaixe do soro', diz governo

A Secretaria de Comunicação Social do Governo de Roraima informou em nota que a acusação de que a criança teria sido agredida na unidade pegou a direção e os funcionários de surpresa, gerando, imediatamente, uma sindicância interna para apurar o fato.

"A investigação constatou que as lesões no braço do bebê foram geradas pelos equipos de soro, uma vez que se trata de uma criança agitada e que precisa rotineiramente de terapia intravenosa. Além disso, o bebê se encontra em berços abertos, e quando ele bate o braço contra a borda do berço, o encaixe do soro acaba provocando pequenas fissuras, dada a fragilidade da pele da criança", diz a nota.

A criança, segundo o governo, "tem recebido um envolvimento intenso da equipe de assistência da maternidade, que está em contato direto com a família, chegando, inclusive, a solicitar a presença dos pais em tempo integral, para acompanhar o tratamento do bebê".

Sobre o TFD, o governo destacou que o procedimento depende da existência de uma vaga em uma unidade especializada fora do estado, que disponha de vaga em leito de UTI (Unidade de Terapia Intensiva), o que foge da competência do estado.

"O hospital Pequeno Príncipe, no Paraná, chegou a informar a existência de uma vaga para a cirurgia, no entanto, para que a criança seja transferida, é necessária a existência de vaga na UTI, o que, até o momento, não ocorreu", informou a nota.